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Espetáculo Cartas da Prisão, que retrata a troca de cartas amorosas entre uma mulher e um serial killer, ganha apresentação em São José do Rio Preto

O documentário cênico, que mescla ficção e relatos reais de mulheres que sofreram diversas formas de abuso, será realizado em regiões do Estado com altos índices de feminicídio

28/02/2024 às 10h42
Por: Elis Bohrer
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Espetáculo Cartas da Prisão, que retrata a troca de cartas amorosas entre uma mulher e um serial killer, ganha apresentação em São José do Rio Preto. Foto: Rafael Salvador
Espetáculo Cartas da Prisão, que retrata a troca de cartas amorosas entre uma mulher e um serial killer, ganha apresentação em São José do Rio Preto. Foto: Rafael Salvador

No dia 06 de março, às 20h, acontece a apresentação do espetáculo "Cartas da Prisão" no Teatro Municipal Nelson Castro, em São José do Rio Preto. O solo, em sua quarta temporada, conta com texto de Nanna de Castro, direção de Bruno Kott e atuação de Chica Portugal.

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Promovido com o apoio do ProAC (Programa de Ação Cultural) e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, essa iniciativa é parte das celebrações do Mês da Mulher. A escolha da cidade se deu em função da 7ª colocação no ranking de casos de violência contra a mulher, conforme dados de 2022 da Secretaria de
Segurança do Estado (SSP).

Após dezenas de entrevistas, gravações, e-mails e chamadas telefônicas com mais de 100 mulheres, Chica Portugal e Nanna de Castro, constroem esse espetáculo que nos mostra a relação direta entre violência, virilidade, medo, patriarcado e dependência de mulheres que tentaram salvar homens violentos através do amor. O trabalho também destaca a
complexidade das histórias envolvendo criminosos e suas vítimas, ressaltando que muitas delas estavam apaixonadas por seus agressores.

E fica a pergunta: a paixão já te fez perder o controle e confiar mais do que devia em alguém? O solo estreou durante a pandemia, em 2020, em uma versão online. Em 2022, teve sua estreia presencial no Sesc Santo André (SP). No ano seguinte, realizou o circuito das Fábricas de Cultura, na capital paulistana; participou do evento Março-Mulher em Guaratinguetá (SP), além de realizar apresentações durante a II Semana de Reflexão e Combate à Violência contra a Mulher no Teatro Feluma e na Virada Cultural em Belo Horizonte, ambos em Minas Gerais.

Em cena, Chica Portugal dá vida a uma atriz-performer chamada Rita, que realiza um espetáculo a partir de suas pesquisas sobre relacionamentos abusivos. O fio condutor da peça da personagem são cartas que foram encontradas debaixo do colchão de um presidiário em uma penitenciária de São Paulo. Trata-se da correspondência amorosa entre uma mulher que assina como “M” e um psicopata conhecido como “o maníaco da flor”, condenado por matar esquartejar mais de 40 mulheres.

A partir das cartas, Rita revela o relacionamento abusivo que viu a própria mãe viver com seu pai, o que fez a protagonista sair de casa muito jovem. O público acompanha a evolução do relacionamento entre “M” e o “maníaco da flor” e o desgaste da relação entre Rita e sua mãe – incapaz de deixar o relacionamento abusivo. E as histórias destas mulheres vão se tornando
cada vez mais parecidas.

Rita também traz para a cena depoimentos reais de outras mulheres que viveram experiências amorosas com abusadores, além de materiais diversos de pesquisa sobre o tema. Na colcha de retalhos que vai se formando entre todas as histórias, ela questiona a si mesma e o público sobre nossas possíveis e inimagináveis relações com o abuso como indivíduos e como
sociedade.

“Usamos a pesquisadora [Rita] como metalinguagem para que a atriz [Chica Portugal] se relacione diretamente com o público, quebrando, assim, a quarta parede, num misto de contação de história e palestra ficcional. Ao contrário da versão em vídeo, teremos a caixa preta, símbolo referencial do teatro, como um potente meio para que o espectador co-crie junto da obra, imaginando desde a ambientação dos espaços até as situações emocionais descritas nas cartas das três personagens interpretadas pela protagonista”, revela o diretor Bruno Kott sobre a encenação.

A respeito de uma de suas motivações para montar o solo, a atriz Chica Portugal, que também é idealizadora da montagem, menciona: “Incrivelmente não há uma mulher que eu converse sobre o assunto que não tenha passado por algum tipo de relacionamento abusivo. A maioria deles é velado, sutil – acabam sendo os mais difíceis de se notar, porque há uma tendência de normalização desse abuso quando não há agressão física. A maioria das mulheres deixa passar”.

Já a dramaturgia de Nanna de Castro rompe propositalmente o limite entre realidade e ficção ao transitar entre depoimentos verdadeiros e fictícios, entre o noticiário e o poético. Obras como “Mulheres que Amam Demais”, de Robin Norwood, e “Loucas de Amor”, de Gilmar Mendes, são referências importantes.

“Dentre as facetas das relações abusivas, sempre me intrigou as mulheres que se correspondem com criminosos sexuais confessos na prisão. É comum que assassinos recebam centenas de cartas de amor de mulheres que os conhecem apenas pelo noticiário. É como se o abuso fosse não apenas aceito, perdoado, mas acolhido. Não quero e não posso julgar estas
mulheres, apenas convidar o público a partir desta situação extrema e refletir sobre nossa convivência com a violência e o desrespeito não apenas no nível pessoal, mas social”, acrescenta a dramaturga.

O número de casos de feminicídio aumentou 34% no primeiro semestre de 2023 no estado de São Paulo em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme dados da Secretaria de Segurança do Estado (SSP). Em 2022, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada dois dias no estado de São Paulo, totalizando 187 mortes. Depois da Região Metropolitana de São Paulo, o Vale do Paraíba, segue como a região mais violenta do interior de São Paulo. Por este motivo, quatro das oito apresentações do espetáculo ocorrerão em cidades do Vale do Paraíba: Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Jacareí e São José dos Campos. Em terceiro lugar está Campinas, que abrange a Região Administrativa e a Região Metropolitana de Campinas, incluindo os municípios de Campinas e Limeira. A cidade de São José do Rio Preto ocupa o 7º lugar nas estatísticas de violência. Por fim, na Região Administrativa Central do estado, o município de São Carlos ocupa o 11º lugar entre as cidades mais violentas do Estado de São Paulo.

Oficina de autodireção teatral: apropriação da obra artística: Com o propósito de explorar tecnicamente e artisticamente um processo criativo, o diretor, ator e dramaturgo Bruno Kott ministrará uma oficina entre os dias 19, 20 e 21 de março, das
14h às 18h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. A atividade incluirá exercícios de atuação, análise de textos, exploração de imagens e desenvolvimento de repertório criativo. O objetivo é capacitar atores, diretores e autores a mergulharem em processos autorais, com foco em se tornarem mais independentes e aptos a expressar suas criações de forma eficaz.

Destinado ao público geral a partir de 18 anos, os interessados devem redigir um e-mail ([email protected], com o assunto "Seleção para Oficina com Bruno Kott") incluindo sua experiência pessoal e, se aplicável, profissional. É essencial explicar por que desejam participar desse processo.

Espetáculo “Cartas da Prisão” em São José do Rio Preto

Dia: 06 de março, às 20h00

Local: Teatro Municipal Nelson Castro

Endereço: Av. Felíciano Sáles Cunha, 1020 – Jardim Novo Aeroporto – São José do Rio Preto/SP

Entrada gratuita 

Sinopse 

Em cena, Chica Portugal dá vida a uma atriz-performer chamada Rita, que realiza um espetáculo a partir de suas pesquisas sobre relacionamentos abusivos. O fio condutor da peça da personagem são cartas que foram encontradas debaixo do colchão de um presidiário em uma penitenciária de São Paulo. Trata-se da correspondência amorosa entre uma mulher que
assina como “M” e um psicopata conhecido como “o maníaco da flor”, condenado por matar e esquartejar mais de 40 mulheres. A partir das cartas, Rita revela o relacionamento abusivo que viu a própria mãe viver com seu pai, o que fez a protagonista sair de casa muito jovem.

O público acompanha a evolução do relacionamento entre “M” e o “maníaco da flor” e o desgaste da relação entre Rita e sua mãe – incapaz de deixar o relacionamento abusivo. E as histórias destas mulheres vão se tornando cada vez mais parecidas. Rita também traz para a cena depoimentos reais de outras mulheres que viveram experiências amorosas com abusadores, além de materiais diversos de pesquisa sobre o tema. Na colcha de retalhos que vai se formando entre todas as histórias, ela questiona a si mesma e o público sobre nossas possíveis e inimagináveis relações com o abuso como indivíduos e como sociedade.

Ficha técnica 

PROAC - CIRCULAÇÃO

Pesquisa e Atuação: Chica Portugal

Texto: Nanna de Castro

Direção: Bruno Kott

Cenário e Figurino: Kleber Montanheiro

Iluminação: Marisa Bentivegna

Desenho de Som: Juliana R.

Caracterização: Beto França

Preparação Corporal: Bruna Magnes

Preparação Vocal: Marilene Grama

Assistente de Figurino e Cenário: Marcos Valadão

Cenotécnico: Evas Carretero

Operação de som: Leandro Goulart e Juh Vieira

Operação de luz: Giovanna Clara

Voz Off poema: Nany di Lima

Música: Cálice Intérprete: Paula Mirhan, Composição de Chico Buarque e Gilberto Gil

Fotos de Divulgação: Rafael Salvador e Lyvia Gamerc

Assessoria de Imprensa: Tangerina Conteúdo

Designer: Milton Galvani

Redes Sociais: Ellen da Plot Comunica

Direção de Produção: Chica Portugal

Produtora Assistente: Bia Cordeiro

Realização: Programa de Ação Cultural – ProAC

Administração: Michelle Gabriel

Produção: Coletivo À Meia Luz

Leia também: "Entrelinhas" oferece oficinas de bordado para mulheres lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis (LBT) e em vulnerabilidade

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